III Dia das Meninas no MAST – Cientistas de Primeira Viagem: Elas explorando o mundo

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Nossa jornada começou em março de 2015. O Dia das Meninas foi o primeiro evento em comemoração ao dia Internacional da Mulher do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Começamos inspiradas por um evento que acontece no Museu de Ciência, Tecnologia e Transporte da Hungria chamado Girls’ Day. Um artigo[1], escrito por Éva Vámos, conta a experiência do Museu em apresentar para meninas as ‘maravilhas da ciência e tecnologia’. O evento foi organizado pela primeira vez em 2012, pela NATE – Associação “Mulheres na Ciência” e em 2013 o Museu se juntou ao movimento, sendo o primeiro da Hungria a realizar essa divulgação especialmente para meninas. Na Europa, eventos deste tipo são comuns há muito tempo. Na Alemanha, por exemplo, não só museus, mas grandes empresas também realizam essas ações. Há uma estimativa que cerca de 10% das empregadas nessas companhias optaram pela carreira após participar dos eventos de divulgação das carreiras na ciência e na tecnologia.

Todos esses dados foram muito estimulantes para pensarmos e desenvolvermos uma ação parecida aqui no MAST. Sendo um museu que trabalha a temática da astronomia e ciências afins, como física, química, matemática e até biologia, as nossas ações começaram a se direcionar para estes campos do saber. Além disso, o MAST divide o campus com o Observatório Nacional, referência em pós graduação em Astronomia no Brasil e tem forte ligação com outros institutos, como o Observatório do Valongo, onde fica o curso de graduação em Astronomia da UFRJ, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF e o Instituto Nacional de Tecnologia, INT. Isso nos oferece, portanto, um panorama real e muito próximo da quantidade de mulheres ligadas às ciências exatas e engenharias, em especial à Astronomia, aqui no Rio de Janeiro.

Dados de 2009[2] da União Internacional de Astronomia – IAU – mostram que há cerca de 30%de mulheres na Astronomia, levando em consideração que a IAU está presente em 68 países do mundo. Isso quer dizer que das 2109 pessoas que eram astrônomxs ligadas à IAU em 2009, apenas 667 são mulheres. Quando olhamos os números do Brasil, essa porcentagem é ainda mais baixa: apenas 22,7% dxs astrônomxs são mulheres. Não podemos deixar de questionar: onde estão as mulheres? Por que elas não estão ingressando nessas carreiras, se somos 50% da população?

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Muitas são as respostas pra essa pergunta. Um dos fatores mais importantes para o afastamento das mulheres e desinteresse das meninas pelas ciências exatas tem fundo cultural. Meninas, desde muito jovens, são desencorajadas a gostar de matemática e física pela ideia de que mulheres não têm capacidade cognitiva de compreender as exatas. Consequência disso e também um importante fator é a falta de modelos mulheres nessas áreas, para inspirar as possíveis futuras cientistas. É aí que nossas ações começam: quebrar estereótipos, divulgar modelos, resgatar histórias esquecidas, incentivar as meninas desde cedo a acreditarem no seu potencial e mostrar que não só é possível, é necessário que as mulheres tomem frente e ocupem os espaços de ciência e os campos de saber. Pois a ciência produzida por uma maioria de pessoas que são homens, brancos, do hemisfério norte, heterossexuais, é uma ciência que atende e privilegia apenas um grupo muito restrito de pessoas, que já detém todos os direitos e privilégios. A ciência precisa ser plural, diversa, social; a ciência deve atender aos que dela necessitam! Este não é um objetivo somente nosso: é um aconselhamento das Nações Unidas[3],que recomenda como meta para o desenvolvimento sustentável no mundo a igualdade de gêneros e o empoderamento de todas as mulheres e meninas.

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Pensando nisso e devido ao grande sucesso de público logo em sua primeira edição, o evento Dia das Meninas no MAST passou a integrar o calendário oficial de eventos promovidos pela Coordenação de Educação em Ciências do MAST. Hoje, em nossa terceira edição, contamos com a ajuda das meninas do projeto Cientistas de Primeira Viagem: Elas explorando o mundo para a organização do evento e realização das atividades. Neste ano teremos novidades: além da participação das meninas, desde a concepção do dia até a realização das palestras e demais atividades que compõem o nosso evento, estendemos a duração do evento. Nas edições anteriores, o evento acontecia apenas no período vespertino, mas devido à grande procura do público e querendo abranger cada vez mais pessoas, resolvemos oferecer uma parte das atividades também no período matutino.

Além dos nossos constantes parceiros do Colégio Júlia Kubitschek, que sempre prestigiam as atividades do MAST, contaremos com a participação de outros projetos que incentivam as meninas a se dedicarem às ciências exatas, como os projetos Tem Menina no Circuito[4], da UFRJ e o SpaceTroopers[5], que é formado por alunos de São Gonçalo e Niterói, que estão participando do NASA Rover Challenge, nos Estados Unidos. Contamos também com o apoio da FAPERJ através do projeto Jovens Talentos, que financia a bolsa de cinco das nossas bolsistas. Além disso, uma parceria pra lá de linda, com o querido Mario A. Quiñones Faúndez[6] que produziu a arte do evento e a identidade visual do nosso projeto.

Veja a nossa programação e inscreva-se pelo telefone (21) 3514-5233! Venha participar conosco dessa viagem incrível pela ciência! Quem não estiver no Rio pode acompanhar a transmissão on line pelo site www.mast.br

 

[1] Artigo disponível em:  http://www.mast.br/multimidias/cimuset_2013/pdf_eva_paper.pdf

[2] Dados disponíveis no artigo Head count: statistics about women in astronomy, de Catherine Cesarsky e Helen Walker. https://academic.oup.com/astrogeo/article/51/2/2.33/251639/Head-count-statistics-about-women-in-astronomy

[3] Para saber mais, acesse: http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/

[4]Para saber mais sobre o projeto, acesse: https://temmeninanocircuito.wordpress.com/

[5] Para saber mais sobre o projeto, acesse: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/primeiro-grupo-brasileiro-no-nasa-rover-challenge

[6] Para conhecer o trabalho do incrível designer e desenhista Mario Quiñones, acesse: Art Direction & Animation: www.mariolo.tv

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Artigo disponível em: http://www.mast.br/multimidias/cimuset_2013/pdf_eva_paper.pdf

[2] Dados disponíveis no artigo Head count: statistics about women in astronomy, de Catherine Cesarsky e Helen Walker. https://academic.oup.com/astrogeo/article/51/2/2.33/251639/Head-count-statistics-about-women-in-astronomy

 

 

[3] Para saber mais, acesse: http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/

[4]Para saber mais sobre o projeto, acesse: https://temmeninanocircuito.wordpress.com/

[5] Para saber mais sobre o projeto, acesse: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/primeiro-grupo-brasileiro-no-nasa-rover-challenge

[6] Para conhecer o trabalho do incrível designer e desenhista Mario Quiñones, acesse: Art Direction & Animation: www.mariolo.tv

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